domingo, 3 de julho de 2011

Interpretando os Dados do Estudo da Condução Nervosa

A interpretação dos valores normais em medicina eletrodiagnóstica é altamente dependente do auxílio da estatística. O objetivo principal do eletromiografista é separar as pessoas normais das doentes. Decidir se um dado resultado obtido é normal ou não implica em comparar os dados do paciente com valores de referência supostamente normais.

Idealmente, os valores normais e os anormais não deveriam se sobrepor, permitindo uma definição clara entre a população normal e anormal. Infelizmente isso não é a realidade. Algumas pessoas com doença leve podem ter resultados normais. Por outro lado, pacientes supostamente normais podem ter resultados levemente alterados.

Quando um teste eletrodiagnóstico é realizado em vários indivíduos normais, ou é repetido em um mesmo indivíduo, os resultados obtidos são diferentes para cada exame. Essa variabilidade ocorre devido à pequenas diferenças na medida da latência e distância, variações da temperatura da pele, diferenças na idade e altura dos pacientes.

Os valores de referência são estabelecidos de várias maneiras, entretanto, o procedimento mais comum é determinar a média dos valores + ou – um certo número de desvios padrões, geralmente 2. Essa técnica de definição dos valores normais inclui 95% da amostra dentro dos parâmetros desejados num padrão Gaussiano. Dos 5% restantes, 2,5% ficará abaixo da média e 2,5% ficará acima da média, nas extremidades da curva de Gauss.

Em medicina eletrodiagnóstica considera-se apenas uma das extremidades da curva como anormal, pois os valores de velocidade de condução somente podem ser baixos, os valores de latência somente podem ser prolongados e os valores de amplitude somente podem ser baixos para serem anormais. Portanto, somente 2.5% da população cai fora da variação normal.

Quando indivíduos normais com velocidade de condução discretamente lentos são considerados anormais, ocorre um erro do tipo 1 ou falso-positivo. Se utilizarmos 3 desvios padrões em vez de apenas dois à média dos valores normais, aumentaria de 95% para 99% a margem de acerto, tornando o risco de falso-positivo menor que 1% e melhorando ainda mais a especificidade do teste. Entretanto, essa estratégia aumenta a possibilidade de falso-negativo ou erro do tipo 2, diminuindo a sensibilidade do teste. Para a maioria das condições clínicas, um erro do tipo 1 com 2,5% de falso-positivos é perfeitamente aceitável.

Quando o estudo de rotina é normal em pacientes altamente suspeitos de apresentar uma doença neuromuscular, uma tática frequentemente utilizada é repetir os testes ou realizar testes adicionais para tentar confirmar o diagnóstico suspeito. O maior problema dessa abordagem é que cada teste adicional carrega uma probabilidade inerente de falso-positivo proporcional ao número de testes realizados. Portanto, anormalidades isoladas ou sem correlação clínica coerente devem ser interpretadas com extrema cautela, para não causar iatrogenias.

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